… e quando se está doente?

Todos temos mais ou menos mão na vida até que acontece um imprevisto, algo que nos impeça de gerir o dia-a-dia.

Como fazer quando se é ‘mãe solteira’ que adoece no dia em que os miúdos vão de fim de semana para o Pai e que não recupera até que regressem?

Durante um dia quase inteiro sem força para sequer se levantar da cama e, quando se reúne a força, utilizá-la para conduzir até às Urgências mais próximas. Passar mal nas Urgências, ter um ataque de hipotensão que leva ao desmaio prolongado, ter de chamar alguém para nos conduzir de volta a casa porque temos o carro estacionado à porta das Urgências e morremos de medo de desmaiar outra vez durante o percurso para casa. Parar na farmácia, abastecer das drogas prescritas. Agradecer infindavelmente a quem viajou mais de 30 km para me poder levar a casa. Chegar, ficar ‘na bolha’, tentar comer, medicar, dormir (ou fazer o melhor possível para). Acordar bem mas indo piorando ao longo do dia, até chegar a altura da chegada dos filhos quando se está a meio dum pico de febre…

Estavas a dormir? Porque não abriste a porta? Não lavaste o meu uniforme! Nem um como te sentes, Mãe? Estás melhor?

E entretanto o facto é que não se levantou a roupa que está na corda, não se fez a máquina que imperava fazer, não se lavou a frigideira onde a medo se cozinharam dois ovos mexidos só para ter algo no estômago. Não se aspirou a casa, não se limpou o pó. Não se trocou a roupa de cama. E não se comeu nada de jeito sequer, porque a energia está nuns mínimos fenomenais…

Ninguém está para tomar conta de nós, mas nós temos de nos preparar o melhor possível para tratar dos outros (dos nossos). Há que levar e buscar as crianças, há que cozinhar, há que finalmente fazer aquela máquina de roupa, há que ir ao médico com uma, há que ir à reunião de pais na Escola de outra – tudo isto enquanto ainda não se recuperou do episódio hospitalar e a cabeça e a garganta reclamam atenção com dores lancinantes.

Desânimo.

Não se está contagioso, está tudo bem. Mas nem por isso. Aquele tempo que precisamos de cama, comidinha e carinho… não existe. E, aos 40s, ficamos com aquele sentimento de criança necessitada que não tem ninguém para atender às suas necessidades. Caem os famosos 40s cheios de força pelas escadas abaixo, aleijam as cruzes e batem com a cabeça no corrimão, aparecem com mazelas várias. Sente-se o peso da idade.

É tramado estar-se só e doente.

Mas é assim, sobreviver aos 40s…

Distúrbios…

Continuo a fazer a minha dieta keto e o meu jejum intermitente mas a verdade é que, desde que faleceu o meu amigo, a coisa não corre tão smoothly quanto eu esperava.

Já estava numa rotina simpática, de comer bem e fazer exercício mas… o exercício ficou para trás.

Agora que ambos os meus filhos já iniciaram o ano lectivo (ela uma semana mais cedo que ele…), impõe-se a criação de uma rotina mais adaptada a horários mais ou menos rígidos. A isto acresce que retomarei funções dentro em breve.

Ou seja, há que equilibrar: levar e buscar os miúdos às respectivas Escolas, o que não me vai ser sempre possível uma vez que trabalho por turnos e dias haverá em que posso ambos, noutros dias terei de falhar um deles (ou a ida, ou a vinda…), a preparação de alimentação adequada para mim e para os miúdos (que, obviamente, não seguem o keto), a profissão, a lida da casa e conseguir ainda encaixar aqui o exercício físico. Não é fácil.

Na verdade, assusta-me em boa medida estas minhas impossibilidades profissionais para poder cumprir a 100% com o meu papel de Mãe, mas felizmente os meus filhos têm um Pai super dedicado e amigo que irá ajudar (a sacrifício próprio…) nestas situações. Vale que falamos de ‘crianças’ de 14 e 16 anos, portanto também já vai sendo tempo de saírem da carapaça e começarem a fazer qualquer coisinha mais.

Não há dúvida de que os meus filhos são privilegiados neste aspecto: nunca andaram de autocarro, só andam de metro para andar de um lado para o outro com os amigos… de resto: liga à Mãe / Pai para me vir buscar. Sempre estivemos para cumprir esta tarefa e agora que começa a ser requerido ‘afrouxar’ a rédea, é difícil – mais difícil para nós, Pais, do que para eles, Filhos.

Mas uma pessoa vê as notícias, sabe o que se tem passado na cidade do Porto com cada vez mais frequência e torna-se bastante difícil deixar os nossos filhos ‘andarem por aí’, principalmente sozinhos. Bem sei que isto é um problema na minha cabeça e não de facto real, mas sinto-o como tal – qualquer adaptação custa.

Ou seja… ainda estou a tentar adaptar-me a uma nova realidade em que não tenho apoio em casa para poder acompanhar os meus filhos. Divorciei-me a meio de Julho, até lá tinha o apoio do meu ex-marido, agora somos só os três. E, claro, recai quase tudo sobre a Mãe. Não é que me importe, faço o necessário pelos meus filhos, simplesmente também não quero que sejam uns inúteis que não se safem quando eu não estou.

Como vou eu encaixar aqui o exercício? Bem, poderiam dizer-me fazes treinos de meia hora, não arranjas meia hora? – sim, sem dúvida que arranjo meia hora. Mas nunca é meia hora… é chegar a casa exausta, não tendo um horário de trabalho fixo, ter de me equipar, fazer o treino, ir tomar banho, passar horas a ver se o cabelo fica como eu quero (nunca fica!) e a seguir ainda ir fazer jantar (ou almoço), por a louça a lavar, lavar as panelas e pirex (que na máquina não ficam bem lavados…), lavar as liteiras das gatas… Sim, é só meia hora. Mas o meu descanso fica completamente comprometido…

Nevertheless, fica aqui a promessa escrita em como vou tentar por tudo manter a minha rotina de exercícios (já agora! Aquele 14-day abs que iniciei, continuei até ao quinto treino, que foi quando parei).

Devo confessar, no entanto, que só de pensar em tudo isto já fico cansada!… Só espero já conseguir ter energia para conseguir atacar tudo isto…!

Vizinhança…

O meu vizinho do segundo andar gosta de chegar a casa e ouvir música. Nada contra, eu também gosto. No entanto, eu costumo ouvir música para mim e ele gosta de abrir todas as janelas e dar música a toda a vizinhança.

Again, durante o dia não me chateia, ele pode fazer barulho à vontade, o rapaz que ouça música.

O problema reside no facto de ele ouvir SEMPRE (e quando digo SEMPRE quero mesmo dizer SEMPRE) os mesmos temas: Should I Stay or Should I Go, dos The Clash (sou fã dos Clash mas mais cliché que isto é difícil…), Zombie, dos Cranberries, e o With or Whithout You, dos U2 (para me irritar, nada melhor que o cliché dos U2 passado em loop. Qualquer tema dos U2, vá).

Estou aqui na dúvida se vou lá cima dar-lhe dois sopapos ou levar-lhe uns discos para ele variar…

#precisodemudardecasa

42

Há 42 anos, nasci. Tanto quanto me contam, foi pelas 19:30 e foi um parto difícil (não tivesse eu 4,250kg…), andei uns tempos com a cabeça tipo E.T. porque nasci a ferros e iniciou-se assim a minha jornada.

Têm sido 42 anos de MUITA aprendizagem, muitas alegrias e muitas tristezas também. Mas tudo faz parte! O que destaco destes anos todos? Três filhos espectaculares, sem dúvida que são o grande destaque.

Hoje decidi que não quero celebrações, apenas quero estar com os meus filhotes e festejar em privado. Infelizmente, o meu filho mais velho está ausente em trabalho… mas vou com os mais novos jantar fora, experimentar um restaurante novo e ter um momento bom de convívio com as minhas pessoas favoritas.

Chove que se farta (é precisa, a chuva). Comecei o dia a demorar quase uma hora a levar a minha filha ao Colégio, graças a um acidente na estrada… mas não me preocupei nada! Vim sossegada, no meio do terrível trânsito, a ouvir a minha música (sem a qual não passo) e fui brindada, no shuffle, com a voz de uma das minhas melhores amigas, a Tracy. Soube-me bem!

Só vim registar o dia, que ainda mal começou. Espera-me um dia Mãe & Filho (que ainda não iniciou as aulas) e estou feliz por ser assim. Não imagino um melhor aniversário!

São 42, cada vez mais ‘enterrada’ nos temíveis ‘entas, mas feliz e com vontade de futuro bom e risonho!

Venham eles!

Início de aulas

Deixei, há já um bocado, a minha filha mais nova no seu novo Colégio, preparadinha para se atirar a um novo e diferente ano lectivo. Lá foi ela, pela primeira vez de uniforme, com aquele nervoso miudinho de quem é a menina nova.

Os meus filhos mais velhos sempre frequentaram (vá… quase sempre) a Escola pública mas a minha filha não se enquadra: é um ‘espírito livre’ que não cabe na caixa do tipo pouco personalizado de ensino da Escola pública – daí o Colégio.

Sou, portanto, uma Mãe que vê ambos os mundos lectivos (e a este respeito retomarei mais tarde).

A minha filha iniciou hoje as aulas, nono ano. Não vai ter trimestres, mas sim dois semestres, como na Faculdade.

O meu filho do meio só inicia as aulas dia 19, sendo que ainda nem tenho horários… e apenas na passada sexta-feira fui informada do dia da apresentação. Estou com aquele receio típico de que passe não sei quanto tempo sem Professor a uma ou duas disciplinas (não seria novidade…) e que isto acabe por prejudicá-lo, uma vez que já frequenta o Secundário e conta tudo para a média de entrada na Universidade. Mas ele não quer sair da pública… pelo que o deixei.

O meu filho mais velho, inteligentíssimo (mesmo muito, com um QI avaliado como ‘muito superior à média), acabou o décimo segundo ano e resolveu brindar-me com uma ida para o Exército… a mim, que cria ter formado apenas objectores de consciência cá por casa! Sim, previa uma ida brilhante para a Universidade para ele… considero um desperdício de inteligência e capacidade ser militar. Mas a vida não é minha, o meu filho está a pouco mais de um mês de completar 21 anos e… que sera, sera.

Tenho, como penso que qualquer Mãe, altas expectativas para os meus filhos, no entanto tento não os pressionar a nada. Só lhes peço que dêm o seu melhor, nada mais – não há cá ‘análises comparativas’ em relação aos colegas, nada: só lhes peço o seu melhor, não que sejam melhores do que os outros. Não sou Mãe de andar a ver as notas dos colegas, vejo as notas dos meus e nunca venho insatisfeita (bem pelo contrário).

A minha filha foi nervosa, mas confesso que também eu o estou um pouco. O começo de aulas não é só para ela, é também para mim, que retomo a tarefa do levar/buscar, enquanto tento enquadrar isto com trabalho por turnos… não é fácil mas os meus filhos têm um super Pai, sempre presente, que suprirá as faltas quando eu não possa cumprir com a tarefa.

Novo ano, portanto! Novos horizontes, novos objectivos, vida nova! O ano para mim já há muito que inicia em Setembro, com as aulas dos miúdos, e não em Janeiro. É este o momento de organizar, precaver, antecipar, preparar… enfim, é este o momento em que se definem metas para o ano lectivo que se inicia.

Que tudo lhes corra pelo melhor, é o que desejo!

Agora vou ficar até a meio da tarde mortinha por saber como estará a minha filha a adaptar-se à sua nova realidade (não são permitidos telemóveis no Colégio)! Espero que bem!

Voltemos ao keto…

Não, ainda não desisti! E penso que aquele ‘ainda’ ali atrás acaba por ser despropositado, pois não pretendo desistir.

Como expliquei em publicações anteriores, entrei nisto do keto meia a medo, usando uma app como muleta indispensável e registava TUDO o que ingeria, ao pormenor do grama. Acho que fixei um bocado nisso, abolindo por completo certas vicissitudes, como por exemplo deixar de beber álcool por completo. Convém explicar que não sou, nem nunca fui, alcoólica…. Mas sim, adoro aquele copo de vinho ao fim da tarde ou aquela cervejinha entre amigos na esplanada… inevitável!

Aos poucos fui percebendo que era muito mais castrador para mim registar tudo e pesar tudo do que propriamente fazer uma alimentação cetogénica. A app, para mim, foi para lá de útil, não me entendam mal! Aprendi imenso sobre os alimentos, sobre os valores nutricionais, sobre a forma como o corpo reage a certas mudanças, tive um sem fim de dicas para que a dieta fosse mais efectiva – foi extremamente útil! Tão útil que, volvido um mês e pouco, deixei de sentir necessidade dos constantes registos e pesos etc… aprendi a calcular as macros mentalmente, a saber mais ou menos as necessidades do corpo a nível de gorduras boas e proteína… no fundo penso que interiorizei o keto! E sim, volta e meia lá bebo o meu copinho de vinho ou uma(s) cervejita(s)! Desde que respeite as macros… tudo bem!

Assim, já há umas semanas que não registo nada. Simplesmente tenho atenção ao que como (e quando como, uma vez que o jejum intermitente também já é parte da minha vida) e já está! Isto ajudou-me muito a fugir de fundamentalismos e perceber que não tenho de abolir por completo certos alimentos e/ou bebidas: se os ingerir com a consciência de quantos carboidratos ficam, é-me bem fácil adaptar as restantes refeições do dia. Devo estar no bom caminho porque continuo a perder peso (15 kg já lá vão! Yuhu!) e não sinto que ande fraca ou que me falte algo a nível de alimentação.

Resumindo: transformei-me numa autodidacta do keto e já não recorro a apps! Sinto-me bem melhor assim, mais livre. E continuo a fazer a dieta, sem qualquer tipo de problema.

Vou deixar um exemplo de refeição keto (o meu jantar de hoje!), para que se perceba o quão saciante é: omolete (2 ovos) de cebola roxa, 4 fatias de bacon e rúcula selvagem regada a azeite e vinagre balsâmico. Para os miúdos ainda foram batatas fritas, para mim não (claro). Estou de estômago cheio e sei que não acordo com fome amanhã! Temos proteína nos ovos e no bacon, vegetal na rúcula e gorduras boas no bacon, no azeite e no vinagre balsâmico! Este é um exemplo quase text book de um bom prato keto. Não soa mal, pois não?…

E assim vou indo, já sem ‘medo’ e muito mais relaxada. Daqui a uns dias vou fazer análises para ver como andam os colesteróis e os triglicerídeos, essas tretas todas que supostamente o keto ajuda a controlar – logo darei notícias quanto a isso.

Parece-me conveniente fazer análises quando investimos numa dieta assim, para que haja uma certificação de que não nos falta nada (ou o contrário!). Estar em cima… afinal, os 40s não perdoam e se há altura para começar a controlar melhor as coisas penso que será precisamente a partir desta idade.

Daqui por dois dias enterro-me ainda mais nos ‘entas… mas sinto-me melhor hoje do que no ano passado! A forma como nos sentimos é necessariamente condicionada pela forma como tomamos conta de nós, e se até aos 40 é tudo muito fácil (ou foi para mim…) a verdade é que, passada a marca, devemos parar um bocadinho e reavaliar a atenção que damos a nós próprios. Até porque sabe muito bem tratarmos de nós próprios! Como Mãe de três, nunca fui a minha própria prioridade (moms will understand…), não sei, considerava quase egoísmo. Mas os filhos crescem, nós também, e as coisas mudam.

Até ver, tudo bem no reino do keto e dos seus benefícios! Conto manter-me neste caminho de busca de uma vida mais saudável (e sustentável, também é importante para mim).

Bloqueios!

Quando acontece uma tragédia nas nossas vidas, ou pelo menos na minha, torna-se hercúleo o processo de escrita ‘trivial’, chamemos-lhe assim. Todos os assuntos se tornam triviais, medidos contra o sentimento avassalador de perda!

Por isso não escrevo nada há tanto.

Tudo quanto me tem sucedido é tão pessoal e tão íntimo que não cabe num blog, não cabe no foro público. Pelo que tenho andado numa luta entre querer partilhar escritos e desejo de reserva da vida privada, luta essa ainda sem vencedores e sem o equilíbrio desejado.

Estou, portanto, num autêntico bloqueio.

Talvez entretanto emirjam as tais trivialidades que, todas juntas, compõem uma vida e tornam o blog num espaço como quero – de partilha de experiências, opiniões e com bastante humor!

Hei-de regressar ao assunto das dietas e da luta para uma vida mais saudável, voltar às idiossincrasias que envolvem o pós-40s, falar-vos de livros, de música, de cinema… Simplesmente para já ainda ando de alma caída, sem pujança.

Serve este desabafo para dizer que estou viva! De alma caída, mas viva! E regressarei em breve com outras novidades que não envolvam a escuridão que me corrói por dentro por ter sofrido perdas irreparáveis nos últimos dias.

Até já!…

Tragédias e… falta de [ar], [palavras], [pessoas], [vontade]…

Foi no Sábado de manhã, dia 27 de Agosto, que o meu mundinho da vida saudável, do ‘bola para a frente’, do exercício, da dieta, do autocontrolo… se esvaiu em segundos. I don’t want you to find out about this on social network – foi o que me disse a minha amiga, antes de me anunciar a morte súbita de um dos nossos.

Partiu um Amigo. Um grande Homem. Como diria, tão bem, um outro amigo meu: o único verdadeiro nihilista que conheci.

Ninguém, eu incluída, estava minimamente preparado para esta notícia – foi totalmente inesperado e deixou um bom número de pessoas em profundo choque, eu incluída.

Desde então que quero muito escrever sobre o meu amigo e desde então que me vejo completamente embargada dentro de mim, num tumulto de sentimentos, recordações e cogitações profundas que me impedem de tudo.

Foi um Sábado inteiro em choque, tentando por tudo não despejar o meu choque sobre os meus filhos, foi um Domingo sem acreditar, foi uma segunda-feira de raiva desmedida pelo sucedido, de tristeza à mistura, e regada a bom vinho, sempre de copo erguido ao alto em brinde a quem partiu. Terça passou-se em absoluta tristeza e quarta-feira lá estávamos todos para a despedida que queríamos evitar…

É óptimo ver-vos, é péssimo ver-vos. Talvez a frase que disse mais vezes, no meu regresso à terra natal para a devida homenagem ao A.. E foi: óptimo ver e estar com quem me quer bem (e a quem eu quero bem), péssimo pela circunstância.

Cada vez é mais assim, não? Só nos juntamos nestas ocasiões, em que temos de nos despedir de alguém.

E, como é claro, no meio de todo o amor que se fazia sentir, falámos em como não devemos adiar ‘ir beber aquele copo’ ou ‘ir até ao café’, nunca adiar ‘aquela conversa’. E creio que todos o sentíamos, profundamente, pois sabíamos que faltava ali gente no círculo – não só o amigo de quem nos despedíamos, mas tantos outros amigos que a vida nos subtraiu nos últimos anos.

Este sentimento, infelizmente, não perdura. Rapidamente nos olvidamos propositadamente da certeza da caducidade da vida e dos nossos prazos de validade pessoais. Rapidamente achamos que ‘temos tempo’, que nada vai acontecer entretanto. Mas a verdade é que acontece. E tem acontecido cada vez mais.

Não pretendo falhar mais abraços, conversas, harmonias entre os meus. Não me apetece adiar. Não quero adiar. Não quero que aconteça o que aconteceu nos últimos três meses, em que partiram dois grandes amigos que eu já não via há anos… sem ter tido oportunidade de um último abraço, uma última graçola… dói.

Mas é nesta dor e nesta consequente epifania que sinto uma evolução na doença que me assola há mais de uma década e que comecei a sair de casa, deixando de me encerrar, e ir dando uns abraços, beber uns cafés, beber umas cervejas…

O meu amigo que partiu era uma pessoa excepcional e feriu muito a já trémula relação que tenho com a cidade que me viu nascer e que sempre adorei. É mais uma ausência que vou sentir sempre que lá regressar. A cidade enche-se de ausências que eu não quero notar nem sentir: primeiro a minha família de sangue, agora a minha família escolhida, numa cadência mórbida perfeita… sei que muitos permanecem e é um deleite encontrarmo-nos. Mas a negatividade tem tido mais impacto nos meus pensamentos e o que mais me pesa são as ausências.

Engraçado como queremos escrever algo sobre alguém mas a inépcia nos leva logo a escrever mais sobre nós próprios e sobre a forma como esse alguém nos afecta, a dor, a tristeza… somos seres autocomiserativos, quer queiramos, quer não. Somos mesmo portuguesinhos, temos a saudade cinzelada no peito e o fado inculcado na alma. Portugal, mulheres de negro a olhar o mar.

Partiu mais um amigo. E tudo o resto tem um sabor tão prosaico…

Até já, A..

Desintoxicando

Há muito, além da alimentação e do exercício, que muitos de nós temos que desintoxicar. Por vezes nem só apenas desentoxicar mas mesmo purgar, fazer um reset.

Pode parecer fácil falar numa ‘desintoxicação’ na nossa vida, mas o assunto é bem mais complexo do que poderá aparentar – quando falo em desintoxicação não falo apenas do corpo mas também, e com a mesma (se não maior) importância, da alma, da nossa psique.

Mens sana in corporem sano – uma velha máxima que faz todo o sentido. Tanto mais quando nos apercebemos que, sem paz, não conseguimos funcionar. Foco-me, por exemplo, no meu aumento de peso – disse-me a médica que, dado o alto nível de stress que eu estava a viver diariamente, seria impossível conseguir perder peso. E sublinhou a importância de estar bem comigo própria para poder almejar os meus objectivos. É um pouco senso comum mas penso que muitas vezes, de tão simples que é, nos passa ao lado.

Facto é que, uma vez removidas algumas fontes de profundo stress da minha vida, tudo começou a encaixar bem melhor – comecei a dormir melhor, o meu humor regressou, o peso começou a ir embora vertiginosamente, fiquei com mais energia… até problemas familiares antigos começaram a dar mostras de se querer resolver! E este último tópico para mim… é ‘só’ a minha vida falling into place again. Ter a família junta, perto. Tudo o que ardentemente desejei nos passados 5 anos, nos quais tudo parecia correr mal.

O problema aqui, neste tema da desintoxicação, tem a ver precisamente com a capacidade de identificar o que é tóxico na nossa vida. E isso não é tarefa simples! Como qualquer pessoa que está ‘dentro’ do problema, ser capaz de se afastar de si próprio e ter uma visão mais abrangente e menos envolvida sobre o que se passa, é uma tarefa hercúlea. Não é fácil ver o que nos prejudica quando estamos demasiado iludidos de que a nossa vida e aqueles que nos rodeiam, um dia será como imaginámos. Esta esperança inglória de que ‘está tudo bem’ ou ‘vai acabar por ficar tudo bem’ é muitas vezes impeditiva de darmos o passo em frente e eliminarmos aquilo e aqueles que não nos fazem bem. E por vezes isso dói.

O meu conselho é que se dê um passo atrás e se contemple o que realmente nos faz bem e o que não. Assim que sejamos capazes de ter a iluminação necessária para identificar os factores tóxicos da nossa vida, é muito mais fácil eliminá-los: pura e simplesmente.

Utilizei a expressão desintoxicação propositadamente, porquanto se associa com um processo doloroso. Saber o que nos faz mal é um grande avanço, sabermos lidar com o afastamento do que nos faz mal leva-nos a um período de ressaca: existe a consciência de que estamos a remover algo prejudicial da nossa vida, mas a habituação já é tão grande que, nos primeiros tempos, custa. Tal como qualquer outra adição: física ou emocional. Custa, há um apego não justificado por situações que não nos são favoráveis.

Eu passei (estou a passar) por esse processo de desintoxicação da minha vida. Fiz alterações de relevo, custosas, que me causaram muita ansiedade quanto ao futuro (sim, porque eu hoje já estou a projectar o que poderá acontecer daqui por dez anos… também é algo que tenho de trabalhar – viver mais o presente). Mas finalmente tive a coragem de o fazer. Dei uma volta grande na minha vida e sofri um período de ressaca física e emocional. Não é fácil.

Mas….!

Quando se começam a sentir os efeitos da desintoxicação, aí sentimos que tudo valeu a pena: o esforço, o sofrimento, a coragem que tivemos de ir buscar sabe-se lá onde! E tudo começa a valer a pena, tudo começa a fazer sentido.

É quando nos começamos a sentir em paz que tudo parece dar uma volta de 180 graus, completamente inesperada.

Ontem houve uma aproximação da parte de alguém que é essencial na minha vida e que se apartou de mim num episódio sem sentido. Isto sucedeu anos após várias tentativas da minha parte. Sucedeu num momento em que eu comecei a sentir-me em paz e harmonia, de corpo e alma. Não consigo exprimir por palavras a emoção que me assaltou, que tomou conta de mim e me levou a um estádio de felicidade que já não julgava possível.

Mas aprendi algo tão importante: tudo é possível. Tudo é possível a partir do momento em que largamos toda a toxicidade que fomos ‘agarrando’ ao longo dos anos, ao longo de toda a nossa vida, e nos transformamos em seres mais conscientes do nosso entorno e decidimos pegar nas rédeas da vida que queremos ter, em vez de tentar domar a que temos e não funciona.

Nada paga a paz, nada paga a liberdade, nada paga o amor genuíno – são coisas que temos de conquistar para nós, qual D. Afonso Henriques conquistou, desbravando território lusitano.

Mens sana in corporem sano.

Acreditar que há sempre mais e melhor, libertarmo-nos das grilhetas do ‘conforto’ aparente, ter a coragem de sermos nós próprios outra vez, genuinamente, e sem rancores guardados. Ignorarmos conscientemente o que nos faz mal, ignorarmos conscientemente aquilo ou aqueles que estão no caminho da nossa felicidade.

Ontem tive um enorme raio de esperança e amor na minha vida. Vejo tudo mais claramente, estou mais aberta e tolerante, estou em paz.

Desintoxiquem-se. Procurem ajuda para o fazer, se necessário. Mas desentoxiquem-se. É tudo tão melhor depois disso…!

Há vida além do keto?…

Já aqui escrevi que aderi à dieta cetogénica por dois motivos fundamentais: 1. Perder peso; e 2. Melhorar a minha saúde.

Volvido um mês impecável de keto, ontem à noite dei por mim a salivar pensando num hambúrguer com batatas fritas, num alho francês à Brás, num belo polvinho à lagareiro com batatinha a murro e migas…

Rapidamente percebi que tudo isso eram coisas de que eu, racionalmente, abdiquei. Tudo em prol do que escrevi acima. E comecei a questionar-me:

– será que vou conseguir manter a dieta cetogénica de forma duradoura e sistemática?

– será que estes meus ‘salivanços’ vão começar a acontecer com mais frequência?

– será que um dia, num ‘acto de loucura’ me vou atirar aos carboidratos que nem louca?

– será que vou recuperar todo o peso que perdi e alterar mais uma vez o meu metabolismo?

Todas estas dúvidas me assaltam. É certo que quando aderi ao keto já tinha muitas destas dúvidas e por isso mesmo fiz a subscrição mínima da app que me ajuda a controlar as macros, ingestão de proteína, gordura e calorias – não faria sentido subscrever durante um ano sem primeiro saber se este regime alimentar era viável para mim.

Como já escrevi anteriormente, adaptei-me muito bem ao keto, melhor do que eu pensava! Mas devo confessar que estou um bocado farta de comer ovos (normalmente o pequeno almoço) e uma vez que cozinho ‘normalmente’ para os meus filhos, também me custa um bocadinho fazer-lhes (por exemplo) um belo de um arroz de peixe e eu comer apenas um medalhão de pescada com couve flor. Até agora foi algo que tenho feito e pronto, sem dar grande importância ao assunto.

Mas não deixo de me questionar se vou conseguir manter isto.

Sei muito bem que no minuto em que voltar aos carboidratos vou voltar a inchar e isso incomoda-me. A verdade é que o meu peso normal sempre o tive consumindo o que bem me apetecia e este aumento estúpido de peso que tive derivou de medicação e de uma situação difícil em casa… mas também é verdade que o peso não ia embora e com esta dieta começou numa espiral descendente que me encantou, claro. E não esquecer que tudo isto ocorre pós-40s, o que assusta ainda mais quando toca à manutenção da forma física.

Portanto, tive o meu primeiro verdadeiro e intenso craving ontem à noite. Ainda assim, resisti-lhe. Estava já no meu período de jejum e resolvi deitar-me e pronto, esquecer a gulodice…! Mas quanto mais tempo vou conseguir eu esquecê-la?

A minha principal questão prende-se com a sustentabilidade da dieta num contexto que não o de casa, onde eu é que cozinho e selecciono cuidadosamente os ingredientes, peso-os, registo-os… O nosso país é pródigo em gastronomia da boa e imagino-me a entrar numa pastelaria para tomar o pequeno-almoço e… não poder comer nada. Ir a um restaurante, prescindir dos acompanhamentos e ficar a imaginar quanto pesa aquele naco de carne ou peixe… privando-me de tudo o resto. Não poder beber uns copos de vinho com amigos sem ter de estar a contá-los e a fazer o cálculo mental dos mililitros que leva o copo, não vá ultrapassar as macros (o que é muito fácil fazer com 2 copos de vinho!).

Estou investida nisto, quero continuar, mas preocupa-me o futuro. Gostava de fazer na mesma uma alimentação cuidada mas menos restrictiva! Mas a alteração do metabolismo vai ter impacto no corpo, seguramente.

Vou focar-me para já em atingir o meu peso alvo (já ‘só’ faltam 8kg) e a partir daí logo vejo! Enquanto me sentir confortável em manter o keto, vou fazê-lo (tendo ou não atingido o meu peso alvo), mas questiono-me se há vida além do keto…

Veremos! E esperemos que sim!

Treinos, para que te quero…!

Na minha infância / juventude sempre pratiquei desporto. Tenho uma família completamente devota à natação, pelo que cresci numa piscina, e além disso tinha um Avô muito apaixonado por qualquer tipo de desporto e que sempre me apoiou e incentivou a fazer mais.

Além da natação (óbvio) fiz ginástica, ballet, basket, volley, andebol, equitação… pratiquei mesmo muitos desportos e sempre gostei imenso de me mexer.

Agora… claro que chegou uma altura da minha vida em que eu já tinha tempo para tudo menos para o desporto. Entrei na Universidade, comecei a namorar, as farras eram muitas… e a pobre da vida saudável ficou lá para trás, esquecida atrás de mil afazeres que na altura pareciam importantes e agora já nem tanto! Penso que acontecerá a todos, esta ‘troca de prioridades’ a certa altura na vida, seja para o bom, seja para o mau (sendo que para mim o mau foi largar a prática desportiva).

Há uns anos, e sob influência do meu ex-marido, comecei a relembrar o bem que sabia uma boa caminhada ao ar livre, percorrendo trilhos nas montanhas, descobrindo recantos encantados nas florestas… e também comecei a sentir um pouco de paixão pela escalada (já que o meu ex-marido pratica e eu, claro está, experimentei e gostei!). No entanto, e dado que adoeci e infelizmente me tenho mantido doente nos últimos anos, a vontade de sair de casa sumiu-se e o corpo colapsou num misto de dor, inércia e pura preguiça. Passei muito, muito, muito tempo na cama e isso deu muito cabo de mim e da minha condição física.

Como já expliquei na minha última publicação, com isto tudo também aumentei estupidamente de peso e agora que o ando a perder rapidamente, regressei à prática desportiva em modo ‘baby steps’. O peso impediu-me sempre muito de o fazer antes, uma vez que tenho problemas de costas e joelhos e não achei producente estar a martirizar ambos com os quilos todos que tinha em cima…

A minha vida ultimamente baseia-se em apps! E se isso é verdade para a comida, também é verdade para o desporto! Como ainda não estou muito à vontade para sair de casa, basta-me pegar no telemóvel, fechar-me no quarto vago da minha casa, estender o tapete e… vamos lá a isso! Ando apostada no Asana Rebel – é um programa de fitness baseado em posturas de yoga, assim em traços largos. Tem também muitas outras valências, tal como meditação, receitas saudáveis… por aí. É pago. Mas, na minha opinião, merece.

Ora, vamos à parte que nos interessa! Viver depois dos 40s! E, no meu caso, recomeçar a treinar depois dos 40 (e muitos anos sem fazer nadinha!).

Já é a segunda vez que instalo esta app mas, desta vez, resolvi fazer as coisas bem: comecei com um programa introdutório de 8 treinos e tudo correu muito bem. Estava feliz por conseguir aguentar o treino e comecei a sentir alterações no corpo. Mas assim que acabei o programa introdutório, a app propôs-me um desafio: ‘14 day six pack abs challenge’.

‘Hmm… parece-me bem!’, pensei eu. Pensei MAL. Pensei muito mal! Hoje parto para o meu primeiro treino do desafio, aviso a minha filha que se ouvir grunhir do quarto ao lado, sou eu a treinar, e toda contente lá lanço o meu tapete, coloco a garrafa de água, o telemóvel e inicio o treino. Deixou-me completamente de rastos! Mas de rastos que ainda me tremem os braços, mãos, pernas… sei lá, o corpo todo!

Em quase 42 anos de idade não me recordo de fazer um treino que me tenha deixado tão arrasada ou a sentir-me incapaz de manter certas repetições…! Pelo que me sinto um pouco frustrada porque até na minha ‘competência’ física os 40s vieram para arrasaaaaar! Claro que se eu nunca tivesse deixado de praticar não estaria aqui com esta conversa, mas o facto é este!

Saí do quarto vago sem desenrolar o tapete, pois estava todo transpirado. Parei à porta do quarto da minha filha que olhou para mim, partiu-se a rir e perguntou ‘estás bem, Mãe?!…’ – só para que se entenda o estado de rubor e transpiração profícua que a minha pobre carcaça evidenciava!

Lembro-me que a treinadora terminou com um ‘Namasté’ e eu, entre golfadas de ar sugadas avidamente, só consegui dizer ‘Namasté, bitch!’ – shame on me, eu sei. Mas palavra de honra que lhe estava com nojinho! O que ela exigiu de mim, a parva! (:

E pronto, vim aqui para reconfortar quem, como eu, se vê aflita a fazer um treino. Sim, faço 42 anos em cerca de três semanas, e penso que foi mesmo a primeira vez que achei ‘isto é duríssimo para mim, não vou conseguir’ – mas consegui! Insultei a treinadora, mas consegui!

Amanhã decido se mando este desafio à merda e recomeço com algo mais ‘sensillo’ ou se vou ser marrona e tentar levá-lo até ao fim (já que o comecei…).

A velhice a evidenciar! Oh vida!

Sobreviver aos 40…

Tenho tido um enorme bloqueio de escrita, fruto de problemas vários na vida que, de uma forma ou de outra, me têm impedido de escrever e partilhar a minha jornada.

Mas já me passou! E hoje quero começar a escrever sobre o que significou para mim entrar nos ‘entas’ e todas as diferenças que senti, bem como todas as mudanças que fiz na vida graças a isso mesmo!

Ora bem, provavelmente terei de começar por dizer que nos últimos anos tive problemas familiares graves e vivi um casamento um pouco…. abusivo, deixemos as coisas nestes termos. Sofro de depressão e ansiedade há muitos anos já e, se antes dos ‘entas’ os episódios piores me faziam emagrecer imenso, assim que fiz 40 anos foi ver-me inchar – literalmente. Iniciei uma medicação que me fez engordar e, mesmo após deixá-la, não havia forma de regressar ao meu peso normal. Frustração…

Foi aí que me apercebi em força que já não conseguia perder peso como antes, mas é que nem pensar. Sempre ouvi que ‘a partir dos 40s…!!!’ mas sinceramente sempre me soou um pouco forçado, ser ‘precisamente’ a partir dos 40 que o corpo vai necessariamente mudar… Pois já me desenganei! É mesmo verdade! A partir dos 40 muda TUDO…

O medicamento que me fez começar a engordar, muitos stresses profissionais, uma relação tóxica que me fazia sentir a pessoa mais indesejada do mundo… Foram 22 kg, minha gente! Vinte-e-dois! Somente o mesmo que engordei da última vez que estive grávida. Como sou alta para mulher (1,75cm), não notei o quanto estava a ficar maior e quando dei por mim… lá está, mais 22kg de mim.

Escusado será dizer que a minha moral foi afectadíssima: não bastassem já todos os problemas que me assolavam, deixei de me sentir eu, comecei a sentir-me como uma ‘matrona’ anafada e deixei de me reconhecer ao espelho. Foi a ver uma fotografia minha que me apercebi do quão gorda estava e fiquei para morrer – confesso. Não que seja daquelas pessoas obcecadas com o culto do corpo, mas sempre fui de linhas ‘finas’ e este novo aspecto só me envergonhava e me reduzia exponencialmente a auto-estima.

Assim, comecei a fazer pesquisas acerca de regimes alimentares alternativos, novos modos de viver e de encarar a alimentação. E no dia 15 de Abril, após extensa pesquisa, aderi ao jejum intermitente.

Em que consiste o jejum intermitente?

Em termos muito simplistas, o jejum intermitente é uma escolha consciente de períodos de tempo durante os quais nos alimentamos e, consequentemente, períodos de tempo durante os quais não nos alimentamos. Simples assim, não?… Há quem adira a regimes fixos do jejum intermitente (quem nunca ouviu falar do 16/8 etc….), eu instalei uma app que me calcula semanalmente os períodos de jejum a cumprir – segundo o que diz a informação da app, há que enganar o metabolismo, não o habituando às mesmas janelas de alimentação / não alimentação. Assim, o meu esquema semanal é sempre variado, embora em muito obedeça ao famoso 16/8 (16 horas de jejum, 8 horas para comer), mas tendo também períodos de jejum mais longos e, outras vezes, períodos de alimentação mais longos também – vai variando!

Já sei a questão que assalta de imediato: tantas horas sem comer? Pois é, simplesmente não precisamos de comer a toda a hora ou a qualquer hora, como estamos habituados. Habituámo-nos à gulodice, no fundo, e não à necessidade de comer. 16 horas passam a correr, principalmente quando 8 delas por norma passamos a dormir. Já cheguei a fazer jejuns de 25 horas (a pensar que nunca na vida conseguiria, que eu gosto bastante de comer), e fi-lo muito tranquilamente e sem esforço.

O jejum intermitente é um estilo de vida, não uma dieta.

Ainda assim… iniciei o jejum intermitente há 4 meses e há um mês atrás já tinha perdido 9kg – sem dieta, sem exercício, muita fast food e muita, muita inércia… Resultado interessante, não?…

Mas enfim, sem fazer exercício, sem adoptar uma alimentação saudável, sem me mexer sequer, atingi um ‘plateau’ – o meu peso não descia além dos 9kg já perdidos. Foi então que decidi investir em começar a fazer exercício é que comecei também a fazer mais uma pesquisa aprofundada, desta vez acerca da dieta cetogénica (comummente conhecida por ‘keto diet’).

Em que consiste a dieta cetogénica / keto?

Novamente em termos muito simplistas, esta dieta consiste em reduzir drasticamente o consumo de hidratos e compensar em gorduras boas e proteína. Este comportamento alimentar vai levar a que o corpo entre num estado de cetose (daí o cetogénica), que consiste na produção de cetonas, moléculas de matéria gorda que vão ser utilizadas para energia e que são o ‘alimento’ preferido do cérebro! Assim, não havendo hidratos para queimar, o corpo vai buscar energia às reservas de gordura no corpo, ao mesmo tempo que promove o desenvolvimento muscular, uma vez que se consome muita proteína nesta dieta. Promove-se a produção de insulina e vão buscar-se gorduras localizadas, por norma, ao redor de órgãos como o fígado e o coração, o que revela esta dieta como ideal para pessoas com problemas cardiovasculares, hepáticos e de diabetes.

Mas… são só prós? A resposta é não. A dieta cetogénica é realmente saudável e o facto é que me sinto extremamente bem desde que aderi! Sinto-me com muito mais energia, melhor cognição e humor muito melhorado! No entanto esta dieta não será para todos na medida em que é EXTREMAMENTE restrictiva. Acabaram-se as batatas, o arroz, a cevada (oh, minha querida cervejinha!), no fundo tudo quanto contenha uma quantidade elevada de hidratos. Também se acabou qualquer tipo de consumo de açúcar processado (o que mais me custou foi beber o café sem açúcar… mas já me habituei!), assim como bebidas gaseificadas e adoçadas. Para quem gosta de ‘beber um copo’ de vez em quando, nada está perdido… a cerveja é um big no no, mas pode-se beber à vontade (à vontade mas com juízo…) vinho tinto, vinho branco, tequilla, gin, whiskey… Nada está perdido! Ehheh!

Mas voltando um pouco atrás – é de facto uma dieta muito restrictiva, o que pode ter um grande malefício associado: assim que se atingir o objectivo pretendido é bem possível que se comece a relaxar na dieta e o peso vai voltar a uma velocidade tão alucinante como aquela com que se perdeu. Por este motivo, envolvi-me neste regime com uma certa apreensão… Uma vez mais recorri a uma app para me ajudar. É uma app paga e, como o meu nível de comprometimento não era o melhor, só a subscrevi por três meses (o mínimo permitido), para ver como me adaptava.

Incrivelmente, e contra as minhas expectativas, tem-me sido facílimo cumprir com a dieta cetogénica. Como é rica em proteína e gordura, fico muito saciada quando como e não tenho fome nenhuma durante o dia! Mesmo pensando ‘vou almoçar fora’ ou ‘tenho um evento’, whatever, é super fácil conseguir cumprir! Basta ignorar acompanhamentos e comer carninha, peixinho, marisco… e regar com contenção!

Certo é que, volvidas três semanas de dieta cetogénica, saí do ‘plateau’ de peso em que me encontrava e perdi 4kg! No total, dos 22kg que engordei, 14kg já foram! Em quatro meses.

E agora? Magrinha e completamente flácida, com peles a cair?

Nem pensar! Por isso mesmo, na mesma altura em que iniciei a dieta, também retomei o exercício físico. Não faço nada de extraordinário, treino em casa, mas são treinos produtivos! Novamente através de uma app, pratico um yoga-fitness que põe a trabalhar os músculos todos do corpo, em sessões leves de no máximo 30 minutos. Tento fazer pelo menos uma sessão por dia (ainda ando naquelas de 12 / 13 minutos…) e sinto-me muito bem!

CONCLUSÃO:

De facto os 40s dão uma volta grande no nosso organismo! Mas nada que não possa ser debelado através da adopção de hábitos mais saudáveis! Afinal, e embora ainda gostássemos de lá andar, os 20s já lá vão há muito e a vida é necessariamente diferente.

Escrevo isto sem qualquer tipo de fundamentalismo: o que resulta para uns não resulta para outros e cada um deve buscar a forma ideal para encarar e lidar com o quotidiano pós-‘entas’. No entanto considero esta minha experiência digna de partilha!

Irei dando feedback desta evolução… assim como abordarei outros temas relacionados!

Por hoje, é isto!

Mau tempo no Canal

Sou de Coimbra. Conimbricense, Coimbrinha, Coimbrã – como quiserem, nada me ofende, tudo me orgulha. Sou de Coimbra.

Em 1996 a minha mãe foi deslocada, em trabalho, para o arquipélago dos Açores, mais concretamente para a magnífica Ilha Azul (como é conhecida, pelo tom que lhe conferem as belas hortênsias que adornam a ilha), o Faial. Se bem que, no pico da minha adolescência, recusei deixar a minha cidade natal em definitivo, passei a ter a excelente prorrogativa e privilégio de passar todas as minhas férias escolares na belíssima cidade da Horta. E, como não poderia deixar de ser, apaixonei-me em absoluto. O Faial, além de ser uma ilha lindíssima, tem o bónus de ter uma vista completamente estonteante da ilha do Pico – além de minorar um pouco a sensação de insularidade (recorde-se que o arquipélago está mesmo no meio do Atlântico), esmaga-nos com a beleza avassaladora de ver aquele vulcão imponente, normalmente pincelado de branco no Piquinho e, volta e meia, com aquele ‘capacete’ de nuvem que mais parece um chapelinho feito à medida pela mãe natureza para enfeitar a montanha mais alta de Portugal. Mas a história que quero contar não é exactamente esta.

Vitorino Nemésio publicou, em 1944, a obra-prima ‘Mau Tempo no Canal’ e, correria provavelmente o ano de 1997, e eu, encerrada no interior do Cruzeiro do Canal com rumo à Madalena do Pico, não conseguia retirar esse título da cabeça. O Cruzeiro do Canal era, à altura, um dos dois navios que se encarregava de fazer a travessia de 20 minutos que liga a Horta à Madalena e eu adorava sempre a viagem. Mas aquela viagem não estava a ser nada boa… As condições meteorológicas deterioraram-se muito e, a meio da viagem, todos os passageiros se encontravam já reunidos na parte interior do navio, que exalava um cheiro forte bafiento da humidade, misturado com o óleo das máquinas e a transpiração dos corpos nervosos que ali viajavam. O navio voava sobre as ondas, caindo de seguida sobre elas com estrondo. Os passageiros seriam, com certeza, quase todos locais. Ainda assim, o hábito da viagem não retira o medo e naquela cabine claustrofóbica e bafienta multiplicavam-se gritos, choros, orações e … vomitado, muito vomitado. Eu, miúda inconscientemente destemida, queria era ir lá para fora, independentemente do tempo, fecharem-me ali era tortura…. por isso arranjei o lugar mais próximo da entrada para o compartimento e colei a cara ao vidro, observando a fúria do mar e fazendo todos os possíveis para não virar a cabeça e ver o cenário dantesco que se tinha ali criado. De repente, num fundo sulco de uma furiosa vaga, pareceu-me ver algo… segundo depois, esse algo saltou: era um golfinho. Fiquei maravilhada! Podiam gritar, chorar e vomitar à vontade que eu nunca tinha visto um golfinho selvagem e estava absolutamente colada nele.

Tempestade. Tempestade. Horrível, medo.

Vi outro golfinho! Os gritos continuavam dentro do navio. Vi outro! E outro! Ganhando coragem para olhar para o lado oposto da cabine (mas evitando ao máximo ver o caos que sucedia ali dentro), lá olhei e constatei o que já desconfiava: mais golfinhos! Todos a saltar, a ladear o navio, a acompanhar a viagem… a zelar por nós, ninguém me convence do contrário.

Foi uma viagem aterrorizante. Mas foi dos momentos mais bonitos que vivi, a observar aqueles seres maravilhosos a ajudar a levar o navio a bom porto.

Nunca o vou esquecer. E lembrei-me agora de o registar.

https://youtu.be/Dp4xXBlAtXE

1, 2, 3… 579 213, experiência.

Blogger muito activa ‘na juventude’ (ahah, a única forma de ver a velhice a fazer a sua investida é a rir), desde o aparecimento do Facebook que acabei por largar gradualmente a minha actividade bloggista, até que morreu por completo.

Agora, que me ‘chateei’ com o Facebook em definitivo e eliminei a minha conta, regresso ao blogging – à tentativa número 579 213, entenda-se. Isto porque, apesar de ser uma mulher com necessidade de catarses escritas e não ser capaz de viver sem azucrinar alguma alma com os meus escritos, – ainda que essa alma seja, apenas e simplesmente, a minha – as minhas últimas tentativas de regresso à blogosfera saíram furadas: falta de tempo, excesso de desculpas… E agora, já sem Facebook, meus amigos… cá estou eu!

Portanto, pronto (como disse ontem umas trezentas vezes o Comandante dos Bombeiros de Algueirão, na SIC): tentativa bloggista número 579 213, we have lift off.

Foto minha – chegada a Portugal, vista do cockpit com a tripulação da TAP, vinda de Belo Horizonte.